domingo , 30-04-2017
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As revoluções do interior a capital

As revoluções do interior a capital

 

Ato realizado no dia 11 de outubro deste ano na cidade de Palmares, terra dos quilombos, nascidos da luta.

Em resumo, na atual conjuntura política, econômica e social que o país se encontra, faz-se necessário um posicionamento político de cada um de nós. Aos 18 anos de minha vida, presenciei um dos poucos momentos que posso chamar de mobilização e luta contra a tentativa de um governo ilegítimo se estabilizar que traiu um sistema de governo eleito, ao regredir inúmeros direitos que foram conquistados com muita luta, e posto pela constituição social, (CF/1988). Daí, partindo de um pioneirismo, nós, da UPE Mata Sul, fomos um dos primeiros campus a fazerem parte do movimento de ocupação estudantil. Mesmo Palmares sendo localizada em uma região distante da metrópole, onde tende a passar de forma invisível aos momentos de insatisfação popular geral, revivemos os ideais e práticas de luta.

Somos do interior e daqui surge o que pode tornar-se uma revolução engendrada de fato pela população desfavorecida. Um dos primeiros campus a ocupar em Pernambuco vem do interior, assim como no estado vizinho, que divide fronteiras com a Mata Sul pernambucana, as universidades de Alagoas, também começaram a ocupar nas cidades do interior.

Ainda no inicio de nossa caminhada para a experimentação de uma frente “revolucionaria”, eu, assim como muitos presentes no ato realizado na BR 101, mais precisamente localizada no município de Palmares Pernambuco, vivenciávamos um de nossos primeiros atos públicos de paralisação. Após varias tentativas, finalmente conseguimos paralisar por duas hrs e meia a BR, mesmo havendo toda a euforia e o medo, por ser um momento único, onde nós, estudantes/principiantes no que se refere a organização de protestos tomamos frente, paramos a BR, fomos às ruas mostrar que estamos presentes, e não ficaremos calados esperando que outros hajam por nós.

Como bem é sabido, qualquer escolha acaba por ter consequências, acredito eu, que a minha escolha pessoal de tomar este posicionamento contra o avanço do conservadorismo e de uma política voltada para a elite, transformou minha concepção preconceituosa diante de tais movimentos.

A pouco tempo, quando não havia experienciado uma paralisação como tal, sentia-me apático a tais movimentos por não estar de acordo com algumas atitudes deste. Na verdade, não compreendia a necessidade, por exemplo, de fazer barricadas de pneus para bloquear o trafego de carros, não conseguia compreender o motivo de “atrapalhar” o cotidiano do trabalhador que está em seu carro, ou em um caminhão tentado seguir seu caminho. Porém, neste meu primeiro momento, onde estive predisposto a conhecer melhor um movimento social, percebi a necessidade de proteção ao manifestante, como já havíamos definido estar na BR, ao lado de um bairro periférico na cidade, para dialogar com a comunidade, e aos que passavam pela BR no momento, precisávamos além de nos proteger do avanço de alguns carros, chamar a atenção da população, objetivo este alcançado com êxito. Durante estas duas horas e meia conseguimos chamar a atenção da mídia local, havendo maior visibilidade que o planejado, conseguimos dialogar com os caminhoneiros, que por fim, deram apoio a nossa luta, e conseguimos mostrar e reviver a vontade de luta do Município de Palmares.

Por fim, um dos momentos mais gratificantes deste dia, para mim, além das conquistas citadas acima, foi ver o apoio de um jovem que sequer fazia parte dos manifestantes. Vê-lo junto com outros rapazes tentando ainda no inicio da paralisação da BR convencer aos caminhoneiros que aquela era uma luta de todos, que estávamos alí lutando por um lugar melhor e que o lugar de luta é em nossa cidade, e não na cidade dos outros, em resposta a um dos caminhoneiros que nos mandaram protestar em Brasília. Isso acende mais ainda o espirito de luta presente na Mata Sul que resistiu aos domínios burgueses na época do Quilombo. Aqui vive um povo de garra e coragem, que não se cala, aqui vivem os Herdeiros de Dandara.

Alan Carneiro.

 

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